Posidonia Oceanica

Posidonia Oceanica

Algumas vezes, nas margens da praia, você pode encontrar restos de Posidonia. Essas folhas não são lixo, indicam que você se encontra em um ecossistema natural.

Não importa se a viagem é inédita ou se o caso de amor com a ilha paradisíaca das Baleares já vem de longa data. Basta pensar em Menorca que a imagem de águas cristalinas vem logo à mente, não é mesmo?

Pois saiba que boa parte da “culpa” por esse cenário de encher os olhos é da Posidonia Oceanica. Embora pareça, ela não é uma alga, e sim uma planta aquática que só existe no Mar Mediterrâneo.

Benefícios

Elas são ótimos indicadores da qualidade da água: como precisam fazer fotossíntese para sobreviver, quanto mais clara a água, mais luz consegue chegar até as folhas. E os benefícios não param por aí:

  • servem de abrigo para diversos organismos;
  • graças às raízes, fixam a areia no fundo do mar, o que ajuda a deixar a água transparente;
  • amortizam o efeito das ondas e das correntes;
  • depuram as águas das costas, limpando-as de sedimentos;
  • a retirada de gás carbônico e produção de oxigênio contribui também para a diminuição das mudanças climáticas. Cada m2 de Posidonia libera cerca de 20 litros de oxigênio por dia.

Só por isso já dá para ver que a planta faz jus à inspiração do nome (do grego Ποσειδών, Poseidon, o deus do mar).

Preservação

As Posidonias ocupam cerca de 3% da bacia do Mediterrâneo (uma área de aproximadamente 38 mil km2), protegem a costa da erosão e são verdadeiros bosques de vida para o ecossistema da região.

É bom saber que a diminuição das pradeiras representa uma perda muito grande de biodiversidade e piora a qualidade da água. Além, é claro, de representar a perda de praia, já que as ondas e correntes avançam com muito mais força em direção à costa.

Embora os primeiros fósseis de Posidonia datam do período Cretáceo, ou seja, mais de 120 milhões de anos, tem muito turista que faz cara feia, pensando que as plantas são as “intrusas” no lugar.

Durante vários anos, foi utilizada maquinaria pesada para retirar as folhas das praias mais disputadas pelos turistas em Menorca, o que só contribuiu para diminuir a faixa de areia. Atualmente, os serviços periódicos de limpeza da ilha dão preferência ao método de limpeza manual.

Os equipamentos pesados são utilizados quando a quantidade de folhas é muito grande e mais próximo ao início da temporada turística. Ainda que o processo seja de menor impacto, estudos da Universitat de les Illes Balears indicam que segue havendo perda de areia no processo.

Se você quiser saber mais informações sobre a manutenção e limpeza das praias em Menorca, clique aqui.

Prados submarinos

As plantas se espalham em zonas pouco profundas do mar (no máximo até 40 metros). Elas florescem no outono e produzem na primavera um fruto conhecido como azeitona do mar, que se deposita no terreno arenoso e germina novas plantas.

Suporta temperaturas entre os 10º e os 28º Celsius. Durante o outono e o inverno, as chuvas fortes arrancam boa parte das folhas de Posidonia e as correntes fazem com que se acumulem no litoral, um ciclo que marca a paisagem na ilha.

No inverno, também é possível encontrar “bolas” marrons de fibras de Posidonia formadas pela ação das ondas.

Curiosidades

No passado, as folhas de Posidonia eram utilizadas na construção de telhados, para o solo de estábulos e até para embalar materiais frágeis.

No campo da saúde, as folhas serviam para tratar a inflamação e irritação.

Uma ilha especial

Antes de fazer as malas, é bom saber que o seu destino não é uma ilha qualquer.

Em 1992, Menorca foi classificada como “habitat prioritário” pela Diretiva Habitats da União Europeia – relativa à preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens.

No ano seguinte (1993), Menorca ganhou o título de Reserva da Biosfera. O reconhecimento da UNESCO não é um troféu, nem quer dizer que a ilha é virgem ou que a ação humana deve ser eliminada. Muito pelo contrário. A ideia é valorizar e incentivar a preservação desse tesouro da natureza e, para isso, o papel de cada pessoa na hora de desfrutar e conviver com o meio-ambiente da região é fundamental.

Seja um turista consciente e aproveite as maravilhas desse rincão balear com responsabilidade!